Dia do Folclore: autor de livro sobre Comadre Florzinha explica por que encantados não devem ser tratados como 'lendas'
22/08/2026
(Foto: Reprodução) Givanildo Silva é autor do livro 'Minha Cumadi Fulozinha'
Roan Nascimento
O escritor indígena Givanildo Silva é autor do livro “Minha Cumadi Fulozinha”, obra que reúne histórias e memórias sobre a Comadre Florzinha, um encantado presente no imaginário e na cosmologia de povos indígenas e comunidades tradicionais da Paraíba e de Pernambuco.
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No Dia do Folclore, comemorado neste sábado (22), o autor conversou com o g1 sobre a relação entre os encantados e as tradições indígenas e chamou atenção para a forma como essas figuras são classificadas como “lendas”.
Para Givanildo, o uso desse termo pode desconsiderar a maneira como diferentes povos compreendem e interpretam o mundo. Segundo ele, é necessário respeitar as diferentes cosmologias e as crenças que fazem parte da identidade de cada comunidade.
“O problema está justamente em utilizar determinadas categorias para desqualificar a cosmologia de um povo, enquanto se reconhece como verdade ou religião a cosmologia de outro. O que importa, nesse sentido, é compreender e respeitar aquilo em que cada povo acredita e a maneira como constrói sua própria visão de mundo”, explicou.
Agora no g1
Quem é a Comadre Florzinha?
Ilustração do livro "Minha Cumadi Fulozinha"
Ariana Atanázio/Divulgação
A Comadre Florzinha, também conhecida como Cumadi Fulozinha, é um encantado associado à proteção das matas e das florestas. Nas histórias transmitidas entre comunidades tradicionais, ela costuma ser retratada como uma criança ou uma mulher de cabelos compridos, que vive na mata e pode assobiar para atrair ou desorientar pessoas que entram na floresta.
A personagem também aparece em relatos relacionados à proteção dos animais e da vegetação. Em algumas narrativas, a Comadre Florzinha pune caçadores que desrespeitam a mata ou retiram dela mais do que o necessário.
No livro “Minha Cumadi Fulozinha”, Givanildo Silva parte das próprias lembranças de infância para reconstruir histórias relacionadas ao encantado. As memórias são ligadas, principalmente, à convivência com o avô, período em que ouviu relatos e teve contato com a personagem que, anos mais tarde, se tornaria tema de sua obra.
O escritor conta que a ideia de escrever sobre a Comadre Florzinha surgiu ainda na infância e permaneceu presente durante décadas, até se transformar em livro.
“Desde criança, eu carregava comigo o desejo de, um dia, escrever um livro sobre ela. Era uma ideia que me acompanhava como uma espécie de projeto adormecido na memória. Por isso, este livro não nasceu de repente. Ele foi sendo gestado ao longo de mais de 40 anos, entre memórias, histórias, afetos e o desejo de transformar em palavra uma personagem que me acompanha desde a infância”, concluiu.
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